O novo presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo, Eduardo F. Carrera, assumiu o cargo no início de janeiro com muitas ideias e projetos para realizar em 2010. Desde 1984 atuando na especialidade, Carrera é um dos mais expressivos cirurgiões do ombro e cotovelo do país e está sempre buscando aprimoramento profissional. À frente da SBCOC, pretende incrementar os programas que já vem sendo realizados pelas gestões anteriores e organizar junto com sua diretoria um grande Congresso Brasileiro. Veja nesta entrevista os planos do novo presidente e conheça um pouco mais de sua trajetória médica. Jornal da SBCOC – Qual será o principal desafio na presidência na SBCOC?
Eduardo F. Carrera - Será participar da organização do CBCOC 2010. Este é o evento mais importante da nossa sociedade, que acontece a cada dois anos, e mobiliza mais de 800 profissionais interessados em problemas do ombro e do cotovelo. O congresso é um fórum de discussões de trabalhos, pesquisas e protocolos e também funciona como um grande intercâmbio de informações entre os especialistas nacionais e internacionais. Isto demanda um trabalho de muita dedicação e participação de vários colegas, empenhados em proporcionar um encontro de alto nível científico, além da confraternização, que é uma marca da nossa sociedade. Portanto, poder realizar um congresso na minha gestão é o trabalho mais importante.
Em relação ao Congresso Brasileiro, o que pode destacar?
EC - O CBCOC 2010 acontecerá em Campos do Jordão, uma cidade agradabilíssima no interior de São Paulo. É uma região montanhosa, muito bonita, com alternativas de lazer de toda sorte: passeios turísticos belíssimos, bons hotéis e restaurantes com boa comida e boa bebida e clima agradável nesta época do ano. E o mais importante é que o local do evento é moderno, amplo e totalmente preparado para receber este grande número de participantes que esperamos neste evento. Como já é uma tradição nos nossos congressos, os temas livres terão bastante destaque. A maior parte do tempo das nossas atividades estará reservada aos temas livres. Além disso, teremos quatro renomados convidados estrangeiros que irão nos brindar com sua experiência.Quais outras ações serão realizadas este ano, além do Congresso Brasileiro?
EC - Além do CBCOC 2010 temos muito trabalho pela frente. Manter o que já vem sendo feito pelas diretorias anteriores será outro desafio. Vamos continuar com o nosso jornal informativo, os cursos itinerantes através das regionais da SBOT, a manutenção do site tentando facilitar o acesso e promover facilidades para os sócios, entre outras tantas atividades. Mas trabalharemos também nesta gestão para apresentar uma nova proposta de um logotipo para a nossa sociedade, que é o desejo de muitos de nós; e teremos um grupo de colegas estudando e apresentando propostas relativas a tabelas de convênios e honorários médicos junto à SBOT e à AMB.Qual sua expectativa em relação a esse mandato na SBCOC?
EC - Chegar à presidência da SBCOC é um privilégio e uma conquista gratificante. Estar à frente da sociedade que mais cresce dentro da nossa especialidade, da qual fazem parte personalidades das mais importantes, com visibilidade nacional e internacional, reconhecida e conhecida em todo o mundo, é uma responsabilidade muito grande. Apesar da responsabilidade, minhas expectativas para esta gestão são boas. Estamos trabalhando na diretoria há vários anos, adquirindo experiência e conhecimento. Estar presidente da SBCOC é um processo de amadurecimento pelo qual passamos durante anos em que participamos da diretoria, até conhecermos todos os assuntos necessários para darmos continuidade ao trabalho dos nossos antecessores. Se tivermos sorte, e com a ajuda dos colegas que participarão comigo desta gestão, profissionais altamente capacitados, faremos ainda algo mais para a SBCOC. Quero destacar aqui a diretoria da SBOC: Nelson Ravaglia, Arildo Paim, Arnaldo Amado Ferreira Neto, Geraldo Motta e Glauco Manso.Fale um pouco de sua trajetória profissional.
EC - O meu primeiro contato com a cirurgia do ombro foi no ano de 1984, quando fui a Londres, na Inglaterra, para um curso de pós-graduação. Passei um ano com a equipe do Prof. Lipmann Kessell e o Dr. Ian Bayley. Depois disso, retornei mais duas vezes a Londres para rever e sedimentar os meus conhecimentos nesta área, visto que aqui no Brasil não havia ainda nenhum serviço dedicado a esta especialidade.O senhor participou da formação do grupo de ombro da USP. Como foi isso?
EC - No início dos anos 80, houve um curso de ombro na Associação Paulista de Medicina (APM) organizado pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da USP (IOT / USP), que participei como ouvinte. Nesta época, tive a oportunidade de conhecer o Dr. Arnaldo Amado Ferreira Filho e o Prof. Manlio Napoli, que me convidaram para participar da formação do Grupo de Ombro do IOT / USP. O Grupo era composto pelo Prof. Napoli como chefe, o Dr. Arnaldo, o Dr. Américo Zoppi, o Dr. Raul Bollinger, e eu como convidado.
Quando e como iniciou o trabalho de artroscopia do ombro?
EC - Em 1986, quando voltei a Londres, tive o primeiro contato com a artroscopia do ombro, que fazíamos ainda de forma precária, pois não havia câmera para acoplar à ótica do artroscópio. Iniciamos então no IOT / USP os primeiros procedimentos em artroscopia do ombro, que me rendeu duas teses: Mestrado e Doutoramento. Passei 12 anos aproximadamente nesta Instituição, quando saí, e cerca de três anos mais tarde fui convidado pelo Prof. José Laredo Filho e pelo Dr. Sergio Nicoletti, o então chefe do Grupo, para participar do Grupo de Ombro e Cotovelo da UNIFESP, onde estou até hoje. Durante este tempo, participei de várias atividades da SBOT. Entre outras, fui presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia (SBA) na gestão 2001-2002. E, atualmente, sou presidente da SBCOC.